Yehudi Menuhin – Um dos melhores violinistas de todos os tempos

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Em homenagem aos 100 anos de nascimento do violinista Yehudi Menuhin, comemorados hoje, dia 22 de abril de 2016, transcrevemos aqui um artigo publicado em junho de 1950 na Revista do Teatro Cultura Artística com o programa que seria apresentado no Brasil.

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Yehudi Menuhin

Um dos melhores violinistas de todos os tempos

Vinte e sete anos já se passaram desde aquele memorável dia de novembro, em que um menino rechonchudo e loiro, de calças curtas, surgiu no palco do Carnegie Hall em New Yourk, firmou seu violino tamanho 3/4 sob o queixo, cerrou seus solenes olhos azuis, ergueu o pequeno arco e começou a executar, à sua maneira, o Concerto de Beethoven.

Nascido em New York, a 22 de abril de 1916, foi levado por seus pais a São Francisco, com apenas 9 meses. Aos quatro anos começou seriamente seus estudos de violino com Sigmund Anker e depois com Louis Persinger. Apareceu pela 1ª vez em público, em S. Francisco, com a idade de 7 anos. Aos  8, seus pais o levaram para o estrangeiro a fim de estudar com Adolf Busch e Georges Enesco. Depois de memoráveis sucessos em Paris, com a orquestra Lamoreux, regressou à terra natal para o seu sensacional debut com a Sinfônica de New York.

Sua carreira desde então, foi uma série de triunfos nos centros musiciais do mundo todo.

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Yehudi-Menuhin-Brasil-1950-01Menuhin teve a amizade e colaboração dos maiores dirigentes do mundo, inclusive Toscanini, Koussevitzky e Bruno Walter (sob cuja batuta ele deu uma performance que marcou época: os três maiores concertos da literatura de violino, o de Bach, Beethoven, e Brahms, foram executados numa só tarde, em Berlim, e repetidos mais tarde, a pedido, em Paris e Dresden). Profundamente interessado em pesquisas musicais, Menuhin possui uma imensa coleção de edições “Urtext”, de música para violino (as primeiras edições, publicadas enquanto os compositores ainda estavam vivos), e seus estudos o levaram a muitas restaurações e descobertas importantes. Aos 16 anos ele recolocou nos seus devidos lugares o 2º e 3º movimentos do Concerto em Ré Maior de Paganini, até então nunca executado em público, e deu aprimeira performance da obra completa. Foi ele também quem exumou o Concerto “Perdido” de Schuman, executando-o em “première” com a Sinfônica de S. Luiz, em dezembro de 1937. Seus recitais-sonatas com a pianista Hephzibah, sua irmã, em 12 selecionadas capitais da Europa e America, também foram excepcionais na história dos concertos. Menuhin toca em dois dos mais preciosos instrumentos do mundo: o famoso “Princeza Krevenhueller Stradivarius”, feito em 1733 e tocado apenas por quatro violinista até agora, e um “Guarnerius” 1742, o mais recente presente de sua esposa.

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Um arco que toca as cordas do coração de toda a humanidade… dedos que falam da esperança e da fé dos séculos… é essa a arte sem idade de Yehudi Menuhin, que lança às multidões uma benção melódica a cada revelação transcendental.

Há alguns anos um menino loiro, com a vara mágica de um arco, transformou a incredulidade em espanto e deslumbramento. Hoje, um titan eletriza pela sua perfeição inescrutável e completa. Seu repertório músico ampliou-se. As emoções se aprofundaram. O saber e uma inefável doçura, suavizaram a técnica fabulosa. Tinha surgido um pintor, escultor e poeta. E, invulnerável à idolatria de uma geração. Menuhin, o homem e mestre, nos dá a música que é alegria para um mundo de tristeza, crença para um mundo de desespero, amor para um mundo de ódio e paz para um mundo de lutas. A música que é tudo para todos, que penetrou até as profundezas mais secretas das almas, é a realização de quase todos os sonhos meio esquecidos.

 

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Não é de admirar, portanto, que os maiores auditórios do mundo, nos mais famosos centros de arte, onde os grandes artistas da história da música cantaram tocram, tenham sua lotação esgotada, e que todos fiquem em reverente adoração equanto ele faz ressurgir magicamente para uma nova vida Bach e Beethoven, Brahms e Schumann, que no verdadeiro auge da crise de guerra, em Paris, a ampla sala Pleyel tenha tido sua lotação esgotada duas vezes, em dois dias, para seus consertos de solo; que o Royal Albert Hall, o maior de Londres, com capacidade para 10.000 pessoas, tenha vibrado durante horas com a ovação que se seguiu à sua 18ª audição ali; que após três concertos sucessivos para auditórios da elite em Sydney e Melbourne, na Austrália, foi dada uma série de concertos em benefício das vítmas da guerra, em cada uma dessas cidades, com orquestra e Haphzibah Menuhin ao piano, sendo que todos os ingressos, ao dobro do preço usual, foram vendidos nas primeiras 24 horas, depois de anunciado o concerto, e que, em Nova Yoirk, sete casas lotadas em em 60 dias bateram todos os records anteriores de assitência em concerto musical, na grande metrópole.

 

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Não é de admirar também que os criticos que haviam feito a crônica da espantosa carreira de Menuhin, durante 16 anos, buscassem novos superlativos num esforço vão para analisar ou avaliar sua execução em palavras impressas. O “World-Telegram” de New York, depois do último concerto de Menuhin, declarou: “Os dedos de Menuhin falam, cantam, tocam harpa, fazem soar os sinos, cintilam como pirilampos e enchem de faíscas  o ar”; o “Examiner”, de S. Francisco proclamou o timbre de Menuhin como “um dos mais encantadores sons na história do violino”; em Melbourne, o reporter do “Argus” de clarou: “Na verdade, há muito tempo que não ouvíamos uma interpretação que pela maestria técnica e musicalidade se comparassse à de Menuhin”. O “Times” de Londres concluiu:”É fácil falar em perfeição quando se trata da performance de Yehudi Menuhin”.

 

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Seu triunfo é imortalizado nos milhões de corações onde a música mágica de Menuhin canta e soa ainda muito tempo depois das cordas de seu Stradivarius terem cessado de vibrar, pois neles permanece a exaltação dos grandes momentos espirituais.

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